Quanto ganha uma revendedora de roupas
Por Equipe Lista de Fornecedor · 3 de setembro de 2026 · 9 min de leitura

Vou começar pela resposta honesta, que nenhum site dá: não existe pesquisa brasileira que meça a renda de uma revendedora de roupas. Os números que circulam por aí, do tipo "ganha entre R$ 2.000 e R$ 7.000 por mês", vêm de páginas feitas para aparecer na busca, sem metodologia declarada e sem fonte. Quando você vai atrás do estudo citado, ele não existe.
O que existe são âncoras oficiais e uma aritmética que ninguém pode contestar. Dá para saber quanto paga o emprego equivalente com carteira assinada, quanto o varejo de moda tira de lucro líquido, quanto o cartão come e quanto custa o imposto. Com isso você monta a sua própria conta, que vale mais que qualquer média inventada. É o que este guia faz.
A âncora: quanto paga o emprego equivalente
Uma vendedora de comércio varejista registrada ganha, em média, R$ 1.936,58 por mês, com piso de R$ 1.885,13 e teto de R$ 2.201,99, em jornada de 43 horas semanais. O número vem da base do CAGED, no período de agosto de 2025 a julho de 2026, com amostra de mais de dois milhões de profissionais.
Essa é a régua certa para decidir se vale a pena. Revender por conta própria só compensa financeiramente se render mais que isso, considerando que você não tem décimo terceiro, férias remuneradas nem FGTS, e que trabalha nos fins de semana em que a loja está fechada. Quem revende ganhando R$ 1.500 líquidos está, na prática, pagando para trabalhar por conta.

O teto que a lei te dá
Se você é MEI, existe um limite legal de faturamento: R$ 81.000 por ano, o equivalente a R$ 6.750 por mês. Esse valor não mudou em 2026, ao contrário do que muita gente diz. Há uma proposta em tramitação no Congresso, o PLP 186/2026, para elevar o teto a R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, mas ela ainda não foi aprovada e não está em vigor.
Preste atenção na palavra: R$ 6.750 é faturamento, não lucro. É tudo que entra, antes de pagar a mercadoria. Confundir os dois é o erro que faz alguém achar que vai tirar R$ 6.750 por mês de MEI.
No ano em que você abre o MEI, o limite é proporcional: R$ 6.750 multiplicado pelo número de meses de atividade. Abrindo em junho, o limite daquele ano é R$ 47.250. O guia completo está em MEI para revender roupas.
O multiplicador que todo mundo repete e ninguém consegue provar
"Compre por 30 e venda por 60." "Multiplique por 2,5." Essas regras aparecem em toda parte, atribuídas genericamente ao Sebrae e ao IEMI. Fui atrás: não existe pesquisa do Sebrae, da ABIT ou do IEMI que fixe um multiplicador médio para o varejo de moda brasileiro. É atribuição fantasma, repetida de blog em blog.
O que o Sebrae publica de verdade é uma fórmula, e ela é muito mais útil que qualquer palpite:
Índice de markup = 100 dividido por [100 menos (despesas variáveis + despesas fixas + margem de lucro desejada)], tudo em percentual.
No exemplo do próprio Sebrae, com despesas fixas de 12%, variáveis de 15% e margem desejada de 18%, o índice dá 1,82. Um custo de R$ 60 vira preço de venda de R$ 109,20.
Aplicando a fórmula, o multiplicador deixa de ser escolha e vira consequência:
- Se despesas e margem somam 45% do preço, o multiplicador é 1,82.
- Em 50%, ele vai a 2,00.
- Com 60%, chega a 2,50.
- A 65%, sobe para 2,86.
Leia de trás para frente e o recado aparece: multiplicar por 2 só faz sentido se as suas despesas totais mais a margem desejada somarem exatamente 50% do preço. Quem multiplica por 2 e tem 60% de custos está perdendo dinheiro achando que lucra. A régua aplicada à roupa está em como precificar roupa para revenda.
Margem bruta não é lucro
A confusão que mais destrói operação pequena é essa. Margem bruta é o que sobra depois de pagar só a mercadoria: é o número grande, o que você vê. Lucro líquido é o que sobra depois de tudo, e é o número que entra no seu bolso.
Para calibrar a expectativa: uma pesquisa do setor divulgada em 2025, com dados de 2024, apontou que o varejo de moda trabalha com 5% a 10% de margem de lucro, a maior do varejo brasileiro, contra 1% a 3% em alimentos e até 5% no comércio eletrônico. Varejistas com operação de crédito própria chegaram a 9,4%, e as sem operação de crédito ficaram em 3,1%. A justificativa citada para as margens não serem maiores foi a carga tributária e o custo operacional.
Ou seja: uma varejista de moda formal, com estrutura e escala, fica entre 5% e 10% de lucro líquido. Multiplicar por dois não é lucrar 100%.

Quanto cada custo tira de você
Os três custos que mais somem da conta de quem começa:
Taxa de cartão. O dado oficial do Banco Central, referente ao primeiro trimestre de 2026, mostra taxa média ponderada de 2,13% no crédito, sendo 1,95% no crédito à vista e 2,40% em sete ou mais parcelas. No débito, 1,08%, e no pré-pago 1,21%. Isso desmonta as duas mentiras opostas que circulam, a de que cartão come 5% e a de que cartão é só 1%. Uma ressalva importante: essa é a média nacional de todos os setores e portes, e grandes varejistas negociam taxas menores, puxando a média para baixo. Uma revendedora com maquininha de balcão paga acima disso.
Imposto. No MEI de comércio, o DAS em 2026 é de R$ 82,05 por mês, sendo R$ 81,05 de INSS e R$ 1,00 de ICMS, com vencimento no dia 20. São R$ 984,60 no ano, fixos, independentemente do que você faturar. No teto do MEI, isso representa cerca de 1,2% do faturamento, o que é barato; faturando pouco, o peso relativo sobe bastante.
Frete e embalagem. Variam com o seu modelo de venda e são o custo mais esquecido de quem vende pelo WhatsApp e entrega por aplicativo. A conta está detalhada em frete e embalagem para revender roupa.
Se você vende em marketplace, some a comissão da plataforma, que na faixa de preço mais comum da roupa fica perto de um quarto do valor anunciado. Os números da Shopee estão em como vender roupa na Shopee.
Monte a sua conta em cinco linhas
Em vez de procurar uma média que não existe, faça esta conta com os seus números, uma vez por mês:
- Quanto entrou no mês (faturamento).
- Menos quanto você pagou pela mercadoria vendida (não pela comprada).
- Menos taxa de cartão, frete, embalagem e comissão de plataforma.
- Menos imposto e qualquer custo fixo, como internet e transporte.
- O que sobrou, dividido pelas horas que você trabalhou.
A linha 5 é a que quase ninguém faz e a que muda decisão. Uma revendedora que tira R$ 2.500 trabalhando 60 horas por semana está ganhando menos por hora que a vendedora registrada da média do CAGED, com menos direitos. Isso não significa desistir: significa mexer no preço, no custo de compra ou no tempo gasto por venda.
O que de fato faz o número subir
Três alavancas, em ordem de impacto real.
Preço de compra. Cada real a menos no custo da peça vale mais que um real a mais no preço de venda, porque não depende de convencer ninguém. É por isso que vale comparar polo, comparar fornecedor e negociar volume, seguindo onde comprar roupa no atacado para revender e fábrica, atacadista ou distribuidor.
Giro. O mesmo dinheiro que gira quatro vezes no mês rende quatro margens; parado em peça encalhada, rende zero. Comprar menos e repor mais vezes costuma dar mais lucro que comprar muito de uma vez.
Ticket por atendimento. Vender duas peças para a mesma cliente custa quase o mesmo esforço que vender uma. Combinar segmentos que se somam, como moda íntima com moda dormir, aumenta o valor de cada conversa sem precisar de mais clientes.
A primeira dessas alavancas começa no cadastro de fornecedores. No Lista de Fornecedor você filtra fornecedores de atacado por segmento e por estado e fala direto no WhatsApp deles, sem garimpar em grupo. O catálogo é mais forte em Goiás, São Paulo e Ceará.
Perguntas frequentes
Quanto ganha uma revendedora de roupas por mês?
Não existe pesquisa brasileira que meça isso, e os valores que circulam na internet não têm fonte. A âncora oficial mais próxima é o salário médio da vendedora de comércio varejista com carteira assinada, de R$ 1.936,58 por mês pela base do CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026. Revender por conta só compensa financeiramente acima disso, já que não há décimo terceiro, férias nem FGTS.
Qual a margem de lucro de quem revende roupa?
Uma pesquisa do setor divulgada em 2025, com dados de 2024, apontou margem de lucro de 5% a 10% no varejo de moda, a maior do varejo brasileiro. Esse é lucro líquido, depois de todos os custos, e não deve ser confundido com margem bruta, que é o que sobra depois de pagar apenas a mercadoria.
É verdade que basta multiplicar o preço de custo por 2?
Não como regra. Não existe pesquisa do Sebrae, da ABIT ou do IEMI que fixe um multiplicador médio para a moda no Brasil. O que o Sebrae publica é a fórmula do markup, em que o índice é 100 dividido por 100 menos a soma das despesas variáveis, fixas e da margem desejada. Multiplicar por 2 só fecha se essa soma for de 50% do preço; com 60% de custos, o multiplicador correto é 2,50.
Quanto a maquininha de cartão desconta?
Pelos dados do Banco Central do primeiro trimestre de 2026, a taxa média ponderada é de 2,13% no crédito, 1,95% no crédito à vista, 2,40% em sete ou mais parcelas, 1,08% no débito e 1,21% no pré-pago. É a média nacional de todos os portes: negócios pequenos com maquininha de balcão costumam pagar acima desses valores.
Quanto um MEI pode faturar revendendo roupas?
O teto é de R$ 81.000 por ano, ou R$ 6.750 por mês, e ele não mudou em 2026. No ano de abertura o limite é proporcional aos meses de atividade. Existe uma proposta em tramitação, o PLP 186/2026, para elevar esse teto em 2027 e 2028, mas ela ainda não foi aprovada. O DAS mensal do MEI de comércio em 2026 é de R$ 82,05.



