Quanto investir para começar a revender roupas
Por Equipe Lista de Fornecedor · 8 de julho de 2026 · 8 min de leitura

Com R$ 300 você faz a primeira compra no atacado: é onde começa o pedido mínimo nos polos populares, com lojas pedindo de R$ 200 a R$ 400 (e fornecedores de mais acabamento pedindo bem mais). Com cerca de R$ 1.200 você monta uma primeira grade de 30 peças e ainda paga embalagem, transporte e uma reserva de reposição. A partir de R$ 3.000, dá para estruturar uma operação com estoque variado e vitrine online organizada. O valor certo depende do canal onde você vai vender e da pressa que tem para o dinheiro voltar.
A segunda resposta importa tanto quanto a primeira: a mercadoria não é o único gasto. Quem coloca todo o capital em peça descobre na primeira semana que faltou dinheiro para o frete, para a embalagem e para repor o modelo que esgotou em três dias. O número que você leva ao fornecedor precisa nascer da conta inteira, não do valor redondo que coube no bolso.
De onde vem o piso de R$ 300
O menor valor de entrada é definido pelo pedido mínimo dos fornecedores. Nas lojas populares do Brás, a faixa usual parte de R$ 200 a R$ 400 por loja, com mínimo por modelo entre 3 e 12 peças; fornecedores de moda com mais acabamento pedem de R$ 500 a R$ 1.000, há catálogo de atacado exigindo R$ 2.000 ou mais, e atacadistas online trabalham com mínimos a partir de R$ 300. Ou seja: R$ 300 compram exatamente um pedido mínimo em um fornecedor popular, algo entre 10 e 15 peças básicas.
É um começo de verdade, mas é um começo apertado. Com um fornecedor só e pouca variedade, qualquer erro de escolha compromete metade do estoque. Se esse é o seu ponto de partida, escolha um tipo de peça (blusinha, legging, camiseta) e um público que você já conhece, e venda sob encomenda o que puder. O comparativo em onde comprar roupa no atacado para revender ajuda a escolher o polo; para mínimos baixos, o Brás segue sendo a porta de entrada mais usada.
A conta de uma grade de 30 peças
O salto de qualidade acontece na casa dos R$ 1.200, quando dá para comprar de dois ou três fornecedores e ter grade de verdade. A conta, com preço médio de R$ 30 por peça no atacado popular:
- Mercadoria: 30 peças a R$ 30 em média somam R$ 900. O bom formato é 10 modelos com 3 peças cada, e nunca 3 modelos com 10 peças.
- Transporte: R$ 120 a R$ 200, seja o frete de transportadora para um fardo pequeno, seja passagem e almoço num bate-volta ao polo mais próximo.
- Embalagem: R$ 50 a R$ 70 cobrem saquinho, etiqueta e fita para as primeiras 30 vendas.
- Reserva: R$ 100 a R$ 200 guardados para recomprar, na mesma semana, o modelo que girar primeiro.
Somando, a faixa fica entre R$ 1.170 e R$ 1.370. É por isso que R$ 1.200 é um número tão repetido por quem orienta iniciantes: ele paga uma grade pequena e o entorno dela, sem sobrar folga para desperdício.
Quanto custa começar em cada canal
O canal de venda muda o tamanho do investimento e o prazo de retorno. Os levantamentos de mercado para 2026 apontam faixas parecidas com estas:
- Revenda por WhatsApp e Instagram, sem estoque grande: de R$ 800 a R$ 2.500, com retorno típico entre 1 e 3 meses.
- Sacola ou mostruário físico, de porta em porta ou no trabalho: de R$ 1.500 a R$ 2.500, porque o mostruário exige mais variedade de tamanho.
- Loja online estruturada, com site próprio: de R$ 3.000 a R$ 10.000, cobrindo estoque maior, identidade visual, domínio e embalagem.
Repare que o telefone com câmera boa e uma parede lisa para fotos você provavelmente já tem, e os dois resolvem a estrutura dos primeiros formatos. A tentação de gastar com logo, site e embalagem personalizada antes da primeira venda é grande e quase sempre vira dinheiro parado: estrutura se paga com giro, e giro vem de mercadoria certa.
Dá para começar com menos de R$ 500?
Dá, por três caminhos que reduzem a necessidade de capital. O primeiro é o pedido mínimo único descrito acima: R$ 300 em 10 a 15 peças de um só fornecedor, vendidas para um círculo que você já conhece. O segundo é a venda sob encomenda: você divulga o catálogo do fornecedor, vende primeiro e compra depois, o que exige combinar o prazo com clareza para a cliente não desistir na espera. O terceiro é a consignação, em que o fornecedor entrega as peças e recebe depois, só pelas vendidas; o modelo, com suas comissões e prazos, está destrinchado em compra firme, consignação ou dropshipping.
Nas feiras, os básicos de giro rápido custam menos e perdoam mais erro de escolha: R$ 300 compram de 15 a 25 peças, o suficiente para testar se vender roupa é para você antes de aumentar a aposta.
Comece com um dinheiro que pode ficar parado por 60 dias sem fazer falta em casa. Estoque não vira dinheiro na velocidade que a gente planeja, e desespero de caixa é o que faz vender no prejuízo.
Vale pegar empréstimo para a primeira compra?
Na maior parte dos casos, não. A conta é fria: o estoque gira em 4 a 8 semanas, e nesse período o juro corre por dia. O empréstimo pessoal nos seis grandes bancos custa em média 8,36% ao mês (mais de 160% ao ano), segundo a pesquisa de junho de 2026 do Procon-SP, e mesmo uma taxa negociada pela metade disso engana perto de um markup de 100%: o markup incide uma vez, sobre a peça vendida, enquanto o juro incide todo mês, sobre o valor inteiro, vendido ou não. Se metade do lote demorar a girar, a parcela vence antes de o lucro existir.
O rotativo do cartão e o cheque especial nem entram na discussão. O rotativo rodava a 428% ao ano em março de 2026 (na casa de 15% ao mês), segundo o Banco Central; o cheque especial tem teto de 8% ao mês desde 2020, e a mesma pesquisa do Procon-SP mostra os seis grandes bancos cobrando exatamente o teto. Num crédito que corre por dia sobre o saldo inteiro, um atraso engole a margem do trimestre. Se o dinheiro disponível hoje não paga a grade planejada, os caminhos baratos são encolher a grade, vender por encomenda ou negociar consignação com uma confecção da sua cidade, em que a mercadoria só é paga depois de vendida.
Estoque comprado com dinheiro caro tem prazo de validade: cada semana parado, o juro come um pedaço de um lucro que a peça ainda nem deu.
A exceção honesta existe para quem já vende. Conhecendo o próprio giro, uma linha de crédito barata para uma compra pontual de reposição financia giro comprovado, não aposta. Na primeira compra, esse histórico ainda não existe, e é justamente ele que separa investimento de dívida.
Em quanto tempo o dinheiro volta
A conta de retorno usa a margem da revenda de moda, que na prática fica entre 80% e 130% sobre o preço de atacado. Pegue o cenário do meio: as 30 peças compradas por R$ 900 são vendidas a R$ 60 cada (markup de 100% sobre os R$ 30), somando R$ 1.800. Vendendo 5 peças por semana, um ritmo realista para quem ainda está construindo clientela, o estoque gira em 6 semanas e devolve os R$ 900 da mercadoria mais R$ 900 de lucro bruto, antes de descontar transporte, embalagem e taxa de maquininha.
Desses R$ 900, o caminho que faz o negócio crescer é reinvestir a maior parte nos dois ou três modelos que giraram mais rápido. Quem tira todo o lucro no primeiro ciclo recomeça do zero a cada mês; quem reinveste 70% dobra o estoque em dois ou três ciclos, sem colocar dinheiro novo.
Os erros que queimam o capital inicial
Quatro padrões aparecem em quase toda primeira compra que dá errado. Variedade demais: 30 modelos com uma peça de cada parecem vitrine rica, mas impedem reposição e transformam cada venda num modelo esgotado. Grade fechada cedo demais: o preço unitário seduz, e o tamanho que não veste o seu público vira estoque morto. Estrutura antes da venda: logo, site e embalagem de luxo não vendem blusa; foto boa e resposta rápida vendem. E a peça de ocasião: o lote imperdível de um fornecedor desconhecido, sem nota e sem troca, que custa barato justamente porque o risco é todo seu.
O antídoto para os quatro é o mesmo: comprar pouco, de fornecedor identificável, com foco num público que você conhece, e deixar o próprio giro dizer onde dobrar a aposta.
Perguntas frequentes
Dá para começar a revender roupas com R$ 300?
Dá: R$ 300 pagam um pedido mínimo em fornecedor popular, algo entre 10 e 15 peças básicas. O retorno vem mais devagar do que com uma grade completa, então o realista é tratar essa primeira compra como teste de mercado, vendendo para gente próxima e reinvestindo tudo.
Preciso de CNPJ para fazer a primeira compra?
Na maior parte dos polos populares, não: feiras e a maioria das lojas do Brás vendem para pessoa física a partir do mínimo. Alguns fornecedores de fábrica exigem CNPJ; quando esse fornecedor fizer diferença no seu negócio, o MEI resolve, como mostra o guia de MEI para revender roupas.
Quanto sobra de lucro com R$ 1.200 investidos?
No cenário de markup de 100%, os R$ 900 de mercadoria viram R$ 1.800 em vendas, deixando R$ 900 brutos; descontados transporte, embalagem e taxas, a sobra líquida do primeiro ciclo fica na casa de R$ 550 a R$ 700. O número real depende do seu ritmo de venda e de quanto encalha.
É melhor tirar o lucro ou reinvestir?
Nos três primeiros ciclos, reinvista pelo menos 70% no que girou mais rápido. É o caminho mais curto para sair de 30 peças para 60, e é o giro maior que depois sustenta uma retirada mensal estável.



