Compra firme, consignação ou dropshipping: qual escolher
Por Equipe Lista de Fornecedor · 24 de julho de 2026 · 6 min de leitura

São três os jeitos de abastecer uma revenda de roupas. Na compra firme, você paga a mercadoria antes, e tanto o lucro quanto o encalhe são seus. Na consignação, o fornecedor entrega as peças, você vende, fica com uma comissão que em geral vai de 20% a 50% e devolve o que não sair no prazo combinado, tipicamente 30 dias. No dropshipping, você anuncia sem tocar no estoque: quando a cliente compra, o fornecedor despacha direto para ela e você fica com a diferença de preço.
A escolha se resume a uma troca: quanto mais risco você assume, mais margem fica com você. A compra firme paga o maior lucro por peça porque o encalhe é problema seu; consignação e dropshipping cobram a segurança em comissão menor e em menos controle sobre a experiência da cliente. Uma blusa de R$ 40, a mesma nos três modelos, mostra o tamanho dessa troca em reais.
Compra firme: margem cheia, risco cheio
É o modelo padrão dos polos de atacado: você escolhe, paga, leva e revende pelo preço que quiser. A margem é a da revenda de moda, entre 80% e 130% sobre o atacado, e toda a relação com a cliente é sua, da foto ao pós-venda. O custo de entrada é o pedido mínimo do fornecedor, e o risco tem nome: peça parada. Comprou errado, o prejuízo não tem com quem dividir.
Por isso a compra firme premia quem conhece o público. O primeiro lote pequeno, o reinvestimento no que girou e a reposição rápida, descritos na conta de quanto investir para revender roupas, são a gestão de risco desse modelo. Feita essa lição, nenhum dos outros dois paga tão bem por venda.
Consignação: você vende primeiro e paga depois
Na consignação, as peças chegam sem pagamento antecipado. Você tem um prazo para vender, o acerto é feito sobre o que saiu e o restante volta para o fornecedor. A comissão da revendedora varia de 20% a 50% do valor da peça, conforme o fornecedor e o tipo de produto, e o prazo de permanência mais comum gira em torno de 30 dias.
O modelo é o único que começa com investimento zero em mercadoria, e é por isso que atrai quem está sem capital. O preço disso: comissão menor que a margem da compra firme, mix escolhido em parte pelo fornecedor e a obrigação de cuidar de um estoque que não é seu. Quatro pontos precisam estar escritos no acordo, ainda que numa página simples: prazo de permanência, percentual de comissão, responsabilidade por perda e avaria, e as regras de devolução e reposição. Sem isso, o acerto do mês vira discussão de memória: a planilha do fornecedor contra a sua.
Quem topa consignar costuma ser fornecedor próximo (confecções da sua cidade, marcas locais), porque a logística de devolver peça inviabiliza a distância.
Na consignação, trate a peça como sua desde o primeiro dia: conferida na entrada, fotografada, guardada longe de sol e de cheiro de comida. Avaria costuma ser paga por quem consignou, e o lucro do mês cabe dentro de duas peças manchadas.
Dropshipping: sem estoque e sem controle
No dropshipping, você monta a vitrine (loja online, Instagram, marketplace), define seu preço sobre o catálogo do fornecedor e repassa os pedidos; ele embala e envia em seu nome. No Brasil, o modelo nacional ganhou força sobre o importado por um motivo simples: entrega em dias em vez de semanas, sem alfândega no caminho.
As fraquezas aparecem na operação. O catálogo é o mesmo de centenas de outros revendedores, então a concorrência é por preço e por anúncio. O poder de negociação é pequeno, porque você não compra volume. A tabela de medidas é de terceiros, e erro de numeração vira troca. E a troca é o ponto fraco estrutural: a cliente reclama com você, quem executa é o fornecedor, e sua reputação fica no meio do caminho. Dropshipping funciona como teste de demanda barato e como extensão de catálogo; como negócio inteiro, exige um fornecedor raro de disciplinado.
A mesma peça nos três modelos
Uma blusa de R$ 40 no atacado, vendida à cliente por R$ 80. As contas variam por fornecedor, mas a proporção se repete:
- Na compra firme, o lucro bruto é de R$ 40 por peça vendida, antes de frete, embalagem e taxa; em troca, as peças que não venderem saem do seu bolso.
- Na consignação com comissão de 30%, você recebe R$ 24 por peça vendida e devolve o que não sair; o fornecedor fica com R$ 56 e com o risco do encalhe.
- No dropshipping, o fornecedor cobra da revendedora um preço acima do atacado por assumir estoque e envio, algo como R$ 55 a R$ 60 nessa blusa; sobram R$ 20 a R$ 25, antes das taxas de plataforma e anúncio.
O firme paga quase o dobro da consignação por venda. A pergunta que escolhe o modelo é outra: o seu caixa aguenta pagar o estoque antes de vender?
Qual modelo combina com o seu momento
- Sem capital para estoque: consignação, se existir fornecedor disposto perto de você; senão, dropshipping nacional como ponto de partida, com expectativa de margem curta.
- Com R$ 1.000 a R$ 1.500 disponíveis: compra firme pequena, concentrada em básicos de giro rápido, reinvestindo o lucro dos campeões.
- Já vendendo online, com audiência: dropshipping para testar categoria nova sem travar caixa, migrando para compra firme o que provar giro, porque a margem dobra na mudança.
E os três se combinam: as operações maduras misturam uma base de compra firme nos básicos que giram toda semana, consignação nas peças de valor alto e giro incerto (festa, alfaiataria), e dropshipping para experimentar um nicho novo antes de colocar dinheiro nele. A exigência é controle: o que é seu, o que é consignado e o que nem passa pela sua mão precisam viver em registros separados, senão o acerto com o fornecedor e a sua própria noção de lucro se embolam. Na dúvida sobre o preço de cada modalidade, a conta de margem está em como precificar roupa para revenda.
Qualquer um dos três depende de fornecedor que responde, entrega e resolve defeito. Consignação falsa e dropshipping de catálogo roubado existem aos montes, então antes do primeiro acerto vale a checagem de como identificar fornecedor golpista. Para encontrar fornecedor de atacado com contato direto, organizado por segmento, o caminho curto é o catálogo do Lista de Fornecedor.
Perguntas frequentes
Consignação precisa de contrato?
Precisa de acordo escrito, ainda que simples: uma página com prazo, comissão, responsabilidade por avaria e regra de devolução, assinada pelos dois lados, resolve a maioria das brigas antes de elas existirem. Consignação na palavra funciona até a primeira peça manchada.
Quem cuida da troca no dropshipping?
Diante da cliente, você; na execução, o fornecedor. Por isso a política de troca dele precisa ser combinada antes da primeira venda, com prazo e responsável pelo frete definidos. Se o fornecedor não tem processo claro de troca, cada defeito vai custar uma cliente.
Posso começar na consignação e migrar para compra firme?
É um caminho clássico: 60 dias consignando revelam o que o seu público veste e paga, sem risco de estoque; com esse mapa, a primeira compra firme concentra nos modelos comprovados e a margem por peça quase dobra.



