Controle de estoque de roupas: planilha, giro e reposição
Por Equipe Lista de Fornecedor · 30 de setembro de 2026 · 8 min de leitura

Toda revendedora conhece a cena: a blusa que esgotou em dois dias e não foi reposta, e a pilha de calças que está no quarto há três meses. As duas têm a mesma causa, que é comprar pela memória em vez de comprar pelo que vendeu. E as duas custam dinheiro: a primeira em venda perdida, a segunda em capital parado que devia estar virando mercadoria nova.
Controlar estoque não exige sistema caro. Uma planilha bem montada e três contas simples resolvem a maior parte do problema de quem revende. Este guia mostra como organizar as peças, como medir o que gira, quando repor e o que fazer com o que encalhou.
Por que roupa é o estoque mais difícil de controlar
Numa papelaria, um caderno é um item. Você tem uma blusa em quatro cores e quatro tamanhos, ou seja, dezesseis itens diferentes para o mesmo modelo. É por isso que "tenho 12 dessa blusa" não diz nada: se as 12 são P e GG, você está sem estoque para a cliente que veste M.
A roupa ainda tem prazo de validade de moda. A peça de inverno que não vendeu até agosto vai esperar um ano inteiro, e a tendência da estação passada perde preço a cada semana. E a roupa parada ainda perde valor.
A planilha: modelo, cor e tamanho em cada linha
A unidade do controle é a combinação de modelo, cor e tamanho, a que o varejo chama de SKU. Cada linha da planilha é uma delas, com estas colunas:
- Código, curto e seu (BL012-ROSA-M serve), escrito também na etiqueta da peça.
- Fornecedor e data da compra, para saber de onde repor e há quanto tempo a peça está com você.
- Custo unitário e preço de venda.
- Entradas, saídas e saldo, que é a conta das duas.
A regra que faz a planilha funcionar é registrar a saída na hora da venda, não no fim da semana. Venda anotada depois é venda esquecida, e em um mês o saldo da planilha já não bate com a arara. Uma vez por mês, conte as peças fisicamente e acerte as diferenças; peça que some sem venda é informação, não detalhe.

Se você é MEI, já existe uma obrigação que ajuda: guardar as notas fiscais de compra do atacado, que a Receita manda anexar ao relatório mensal de receitas. As notas de entrada são a base do seu controle, então guarde junto delas a data em que a mercadoria chegou. Essa é a regra de 2026: a Resolução CGSN 190/2026 muda a forma de o MEI comprovar receita a partir de 2027, então confirme com a sua contabilidade.
Giro: quanto do estoque vira venda
Giro de estoque é quantas vezes o seu estoque foi vendido e reposto num período. O Sebrae ensina a conta: divida o que você vendeu no período pelo estoque médio que manteve nesse mesmo período, os dois na mesma unidade (em peças, ou em reais a preço de custo).
Um exemplo. Em três meses você vendeu R$ 6.000 em mercadoria, a preço de custo, e manteve em média R$ 3.000 de estoque. O giro do trimestre é 2: o estoque inteiro se renovou duas vezes. Se no trimestre seguinte o giro cair para 1 com o mesmo estoque, alguma coisa encalhou, e a planilha diz o quê.
O giro fica mais útil quando você o calcula por modelo. Duas blusas com o mesmo preço podem ter giros completamente diferentes, e é esse número, não o seu gosto, que decide qual volta no próximo pedido.
Curva ABC: onde está o seu dinheiro
Some o faturamento de cada modelo no período e ordene do maior para o menor. Em quase todo varejo, poucos modelos respondem pela maior parte da receita. O Sebrae sugere classificar assim: os modelos que, somados, fazem cerca de 75% do faturamento são a classe A; os que levam a soma até 95% são a classe B; o resto é a classe C. Os cortes exatos variam de fonte para fonte, e o que importa é a lógica.
A classe A nunca pode faltar: é nela que o seu capital deve estar e é ela que você repõe primeiro. A classe C é onde mora o encalhe e onde você arrisca menos, com pedido pequeno e grade reduzida.
Quando repor: o ponto de pedido
O ponto de pedido é o saldo em que você precisa fazer o pedido novo para a mercadoria chegar antes de acabar. A conta leva três números: quanto você vende por semana, quantas semanas o fornecedor leva para entregar e uma reserva de segurança.
Tome um modelo que vende 10 peças por semana, de um fornecedor que leva 2 semanas entre o pedido e a entrega, e uma reserva de 1 semana de venda. O ponto de pedido é 10 × 2 + 10 = 30 peças. Quando o saldo chegar a 30, o pedido sai; as 20 cobrem as duas semanas de espera, e as 10 da reserva seguram um atraso ou uma semana de venda acima da média.
Fornecedor mais perto ou mais rápido encurta o prazo e, com ele, o estoque que você precisa manter parado. Esse é um dos motivos para ter fornecedores em mais de um polo.

A grade certa vem do seu histórico
Não existe proporção universal de P, M, G e GG. As tabelas que circulam em blog não têm pesquisa por trás e não batem entre si. A grade certa é a da sua clientela, e a planilha entrega esse número: some as vendas de cada tamanho nos últimos meses e compre na mesma proporção.
Quem vende plus size, moda fitness ou moda infantil tem distribuições completamente diferentes, e é por isso que a grade copiada de outra loja costuma deixar sobra justamente nos tamanhos que você menos vende. Quando o fornecedor só vende grade fechada, prefira os modelos da classe A, em que a venda do resto da grade paga a sobra de um tamanho.
O que fazer com a peça parada
Defina um limite de tempo, por exemplo 60 dias sem venda, e trate como parada toda peça que passar dele. A sequência que costuma funcionar:
- Mude a exposição. Foto nova, peça vestida, combinação com um item que vende. Às vezes o problema era a foto.
- Monte kit ou combo com uma peça da classe A, para a parada sair junto com a que gira.
- Faça promoção com prazo, com desconto que ainda cubra o custo.
- Liquide abaixo do custo se a estação passou. Dinheiro recuperado vira peça nova que vende; peça parada não vira nada.
O canal também ajuda. Marketplace e live são bons para girar o que encalhou no canal próprio; os guias de como vender roupa na Shopee e de como fazer live de vendas de roupa mostram como.
Compre menos, com mais frequência
A consequência prática de tudo isso é comprar em pedidos menores e mais frequentes, repondo o que a planilha mostra que gira em vez de apostar em volume. Quanto investir no começo está em quanto investir para revender roupas, e o calendário das datas que mudam o estoque está em calendário comercial da moda.
Para repor rápido, você precisa de mais de um fornecedor por categoria. No Lista de Fornecedor você filtra fornecedores de atacado por segmento e por estado e fala direto no WhatsApp deles. O catálogo é mais forte em Goiás, São Paulo e Ceará.
Perguntas frequentes
Como controlar estoque de roupa de forma simples?
Use uma planilha com uma linha para cada combinação de modelo, cor e tamanho, com entradas, saídas e saldo. Anote cada venda na hora em que acontece e conte as peças fisicamente uma vez por mês para acertar diferenças.
Como calcular o giro de estoque de roupas?
Divida o total vendido no período pelo estoque médio do mesmo período, usando a mesma unidade nos dois: peças ou reais a preço de custo. Se vendeu R$ 6.000 a preço de custo num trimestre e manteve em média R$ 3.000 de estoque, o giro é 2.
Quando fazer um novo pedido ao fornecedor?
Quando o saldo chegar ao ponto de pedido: a venda semanal multiplicada pelas semanas que o fornecedor leva para entregar, mais uma reserva de segurança. Um modelo que vende 10 por semana, com entrega em 2 semanas e reserva de 1 semana, tem ponto de pedido em 30 peças.
Qual a proporção certa de P, M, G e GG para comprar?
Não existe proporção universal com base em pesquisa séria. A grade certa sai do seu próprio histórico: some as vendas de cada tamanho nos últimos meses e compre na mesma proporção.
MEI precisa fazer inventário de estoque?
Não há obrigação fiscal específica de inventário para o MEI. O que a regra de 2026 exige é manter o relatório mensal de receitas com as notas fiscais de compra anexadas, e essas notas já são a base do seu controle de estoque.



